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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

A CULTURA DO "PERFIL"

Um destes dias ouvi o resultado de um estudo que colocava os professores em primeiro lugar no “ranking de confiança” dos Portugueses, com uma percentagem de 42% de aceitação, face às forças de segurança, ao pessoal da saúde ou até aos políticos, ocupando estes o último lugar dessa listagem.

 

Penso que não se deve colocar em causa a dignidade e importância das outras profissões, pois todas elas têm a sua função social, e muito menos devemos ser ingénuos sobre os “timings” com que alguns estudos são difundidos. Mas este ranking pode, pelo menos, suscitar a importância do reconhecimento de um grupo socioprofissional que nos últimos tempos tem sido desvalorizado.

 

Concordo com a criação de medidas destinadas a moralizar algumas práticas dos docentes, penso que se justifica avaliar os docentes, reconhecendo e promovendo as competências de uns e detectando e especificando as necessidades de melhoria de outros; provavelmente até se pode justificar a definição de um novo modelo de gestão para as escolas, mas penso que tudo deve ser feito em sintonia com os interessados.

 

O Sistema quer Fazer - congratulemo-nos com isso, pois é uma necessidade - , mas parece não o saber fazer, ou pelo menos, não consegue ter uma atitude de necessária informação a acompanhar os  seus “outputs”, quando estes chegam ao “meio”. Numa linguagem sistémica, é como se o “meio”, e os seus agentes, não tivessem sido preparados para os receber, e muito menos estivessem predispostos para essa entrada. O resultado final, é o grande fluxo de informação e exigência destinadas aos vários sistemas locais, com a possibilidade do próprio Sistema não obter resposta(s) e entrar em colapso, deixando de merecer credibilidade ou conseguir eficácia.

 

O que é curioso é que as escolas, elementos constituintes do grande Sistema, funcionando como destinatários daqueles “outputs”, parecem andar à deriva nesta ondulação e, nalguns casos, o espírito de conformismo com a lei, não lhes permitem assumir uma atitude de crítica construtiva ou de procura de alternativas minimizadoras do impacto; ou seja, sem se aperceberem, contribuem para a tensão do seu micro-sistema e para a carga do grande Sistema. A solução pode estar no conseguir funcionar como um filtro à tensão que vem do exterior, apostando numa forte dimensão humana e relacional, como contraponto,ou contra-tensão, procurando diluir a carga algo indefinida, embora impositiva, destinada aos vários micro-sistemas locais.

É este o desafio que vai permitir ver quem tem ou não perfil para gerir este novo conjunto de “exigências” impostas pelo Sistema. Ter perfil não é apenas ser da nossa simpatia ou pensar e agir como nós. Ter perfil, deverá ser o reconhecimento das capacidades de alguém que se comprova ser a melhor opção para resolver os problemas mais prioritários que se colocam ao micro-sistema, num dado momento.

 

Um destes dias, uma colega, ao comparar-me com outro professor, afirmou que éramos pessoas com perfis diferentes. Fiquei curioso e apreensivo. Curioso pelo tipo de informação que tinha recolhido e pela linha analítica seguida que lhe permitia fazer uma afirmação desta natureza, com tanta segurança. Apreensivo porque, no fim de contas, era a exteriorização da prática que domina as nossas escolas, com a definição de perfis feita de forma apriorística e, certamente, até com alguma falta de rigor.

 

A cultura do perfil destas instituições, revela-se pois altamente falaciosa porque, sendo de aba alarga, permite albergar o conjunto de amigos que pensam como nós, “simpatias” que agem como nós e competências que se pretende que se nivelem com as nossas.

 

Depois, existem aqueles que até podem ter competência, mas que não comungando do mesmo ideário dos que estão instalados no poder, vêm o seu perfil como algo que dificilmente é reconhecido.

 

 Neste sentido, é oportuno destacar a importância do criterioso reconhecimento e gestão dos “perfis” de todos, como requisito nuclear num “Macro-ambiente” que, nos próximos tempos, aumentará o seu índice de carga e tensão sistémicas.

 

Nessa ocasião, todos os professores terão que ser solidários, pautando a sua prática pelos valores do humanismo…, terão que conseguir pensar, sentir e agir como professores,terão que evitar as prepotências locais, os excessos legalistas ou a luta maquiavélica pelo poder. Só assim, num próximo ranking, poderemos continuar a merecer a confiança daqueles para quem trabalhamos.

                                                                            

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publicado por mudardevidanaespaa às 14:36

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